Lagarde deixa o Banco Central Europeu antes do fim do mandato


A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, renunciou nesta quinta-feira (29) e deixará a instituição em 7 de fevereiro de 2027. O mandato dela estava previsto para terminar no fim de outubro do próximo ano.
A decisão dá aos líderes da União Europeia tempo para escolher o sucessor antes da eleição presidencial francesa, marcada para 2027, em que Marine Le Pen aparece como favorita nas pesquisas.
Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, Lagarde, ex-ministra das Finanças da França, renunciou porque quer liberdade para se manifestar sobre questões políticas no país e no mundo. No BCE, ela precisava manter a neutralidade.
"Deixo esta instituição com a sensação de um bom trabalho realizado e de um BCE preparado para o futuro", disse Lagarde, de 70 anos, em vídeo nas redes sociais.
A saída dividiu opiniões. O eurodeputado alemão Markus Ferber, do Partido Popular Europeu, disse que a renúncia envia "o sinal errado" num momento de inflação alta e mercados nervosos. Já Marcel Fratzscher, presidente do instituto DIW, falou em "forte senso de responsabilidade".
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, informou que a escolha do sucessor começa imediatamente. Os ex-presidentes dos bancos centrais da Holanda e da Espanha, Klaas Knot e Pablo Hernández de Cos, são apontados como favoritos.
Horas depois do anúncio, o BCE manteve a taxa de depósito em 2,50% ao ano. O banco citou o risco de alta da inflação com o choque nos preços da energia, ligado à guerra no Irã.
Segundo a Reuters, o Fórum Econômico Mundial é apontado como possível destino de Lagarde. A entidade não comentou.
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