Estudo com remédio contra câncer de pulmão traz resultado inédito


Um comprimido tomado uma vez ao dia manteve o câncer de pulmão avançado sob controle por sete anos em 55% dos pacientes de um estudo clínico. O remédio é o lorlatinibe, usado em tumores com uma alteração genética específica, a do gene ALK.
Os dados são da atualização de sete anos do ensaio de fase 3 CROWN, publicada em setembro na revista científica Annals of Oncology, segundo o Olhar Digital.
O estudo acompanhou 296 pessoas com câncer de pulmão de não pequenas células avançado e positivo para ALK. Do total, 149 receberam lorlatinibe e 147, crizotinibe, outro medicamento para o mesmo subtipo.
No grupo do crizotinibe, a mediana de sobrevida sem progressão foi de 9,1 meses, e só 3% seguiam vivos e sem avanço da doença após sete anos. Os pesquisadores calcularam redução de 81% no risco de progressão ou morte com o lorlatinibe.
A alteração no gene ALK aparece em cerca de 3% a 5% dos casos desse tipo de câncer. O remédio também atravessa a barreira que protege o cérebro, o que ajuda contra metástases cerebrais.
"Nunca alguém passava de cinco anos sem a doença progredir quando só existia quimioterapia", disse ao g1 o oncologista Gustavo Schvartsman, do Hospital Sírio-Libanês. Com o lorlatinibe, segundo ele, "agora chegamos a 55%".
Há ressalvas. Eventos adversos de grau 3 ou 4 foram registrados em 77% dos pacientes, nem todos causados diretamente pelo remédio, e 34% precisaram reduzir a dose. Efeitos no sistema nervoso, como alterações de humor e do sono, podem ocorrer em 52% dos pacientes, segundo dados de diferentes estudos.
Os dados de sobrevida global ainda não estão maduros. Por isso, o resultado mostra controle prolongado da doença, mas não permite falar em cura. O medicamento também enfrenta obstáculos de acesso no Brasil.
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