Gleisi Hoffmann diz que o mercado tem 'o DNA do autoritarismo'
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) afirmou nesta segunda-feira (2) que o mercado financeiro tem "o DNA do autoritarismo" e que "não causa estranheza" que o setor tenha apoiado a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
A declaração foi uma reação ao nervosismo de investidores com a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) receber o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, que propõe a redução gradual dos juros e um tabelamento da Selic.
Gleisi negou que o encontro esteja sendo organizado, mas disse que não haveria problema. "E se tivesse, qual é o problema? Conversar sobre um tema ou uma proposta não significa encampá-la", escreveu nas redes sociais.
Ela também afirmou que há no mercado "a ala associada ao PCC, que a PF, a Receita Federal e o Gaeco de SP estão combatendo", além da "turma das apostas no Polymarket".
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou à CNN que haja reunião prevista. "Não existe agenda marcada entre o presidente Lula e André Lara Resende", disse. "Não estamos discutindo nenhuma proposta do André Lara Resende para levar ao presidente." Segundo o Estadão, Durigan nega que Lula pretenda tabelar a Selic e diz que o governo vai rever despesas obrigatórias, sem prorrogar benefícios fiscais.
O tema reacendeu uma disputa no PT. O coordenador do programa de governo, José Sérgio Gabrielli, divulgou texto que celebra o "fim do pensamento único" e cita o tabelamento de juros entre os mecanismos "heterodoxos".
O presidente do PT, Edinho Silva, tentou encerrar o ruído. "O único que fala em nome do governo Lula na política econômica é o ministro Dario Durigan", afirmou.
A discussão acontece às vésperas do Copom, que começa a se reunir nesta terça-feira (3) e anuncia a decisão sobre a Selic, hoje em 13,75% ao ano, na quarta (4).
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