'Menos Bolsonaro, mais Tarcísio', resume ex-comandante.


A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos depois da derrota de 25 de outubro provocou uma onda de críticas entre militares e acelerou a adesão ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), segundo reportagem da Folha de S.Paulo.
O jornal ouviu integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, entre eles ex-comandantes de Força. Todos falaram sob anonimato e todos criticaram a saída de Flávio.
Um oficial-general que atuou no Congresso disse que deixar o país sem reconhecer a derrota corresponde ao gesto do comandante que abandona sua tropa, atitude que considera imperdoável para um militar.
Um ex-comandante resumiu o clima: "Menos Janja, mais Alckmin. Menos Bolsonaro, mais Tarcísio".
Tarcísio é capitão da reserva do Exército, formado na Aman e no IME. Segundo um coronel ouvido pela Folha, Bolsonaro "saiu pela porta dos fundos" do Exército, enquanto Tarcísio "saiu pela porta da frente, passando em concurso público".
Em entrevista ao Estadão, o governador disse que considera disputar a Presidência ao fim do novo mandato. Depois da carta em que Flávio contestou o resultado, Tarcísio defendeu, em nota, respeitar as urnas. "Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta (...). Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", afirmou.
Os militares ouvidos dizem que o antipetismo segue forte na caserna e que a maioria votou em Flávio. Eles também mantêm críticas ao STF no julgamento da trama golpista e consideram as penas excessivas.
A aposta entre oficiais é que um rompimento entre Tarcísio e a família Bolsonaro ocorra no próximo ciclo eleitoral. Nesse caso, segundo eles, a maioria da chamada família militar seguiria o governador.
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