Dario Durigan manda recado ao mercado sobre as contas do governo


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (3) que nada do que está sendo tratado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) justifica "medo do mercado". A declaração veio horas depois de o Boletim Focus, do Banco Central, mostrar a piora das expectativas para inflação, juros, dólar e crescimento.
No primeiro Focus completo após a reeleição de Lula, a projeção para a inflação de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%. Para 2027, passou de 4,34% para 4,76%.
A Selic esperada para o fim deste ano foi de 13,25% para 13,50%, e as projeções de juros subiram até 2029. O dólar previsto para 2026 saltou de R$ 5,05 para R$ 5,34. O crescimento do PIB caiu de 1,80% para 1,76%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) começou a se reunir nesta terça. A decisão sobre os juros sai nesta quarta-feira (4).
Em entrevista coletiva, Durigan disse que o governo fará um "ajuste gradual, que respeite os compromissos de campanha". Segundo ele, o desafio é conciliar os compromissos sociais com a melhora fiscal "sem procurar uma narrativa fácil como o candidato perdedor fazia".
"Vamos melhorar o resultado primário, como nós fizemos de 2023 para cá", afirmou o ministro. Ele tem dito que as contas voltam ao azul em 2027.
Analistas cobram um ajuste mais forte. Eles avaliam que os déficits seguidos pressionam os juros e a dívida pública, segundo o g1.
Questionado sobre uma possível troca no comando da Fazenda, Durigan disse que não tem discutido a sucessão. "Esse é o 'timing' do presidente que eu obedeço", afirmou.
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