Sebastião Melo avisa que a passagem de ônibus vai ficar mais cara

O prefeito de Porto Alegre e presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Sebastião Melo (MDB), afirmou que o fim da escala 6x1 vai elevar os gastos das prefeituras com serviços terceirizados e que as cidades não têm como bancar o custo. "Não temos como pagar essa conta", disse, em entrevista ao Poder360.

Um estudo contratado pela FNP estimou o impacto em R$ 35 bilhões para as prefeituras do país. Com uma transição para 42 horas semanais, a conta cairia para R$ 30 bilhões. Cerca de R$ 20 bilhões estão ligados a contratos terceirizados.

As empresas prestadoras de serviço terão 12 meses, e não 60 dias, para acabar com a escala 6x1.

Em Porto Alegre, cerca de 3.500 trabalhadores atuam na coleta e na limpeza urbana. No transporte, a jornada menor dos motoristas pode exigir mais contratações. "Teremos uma passagem mais cara, fruto da escala 6 X 1", afirmou Melo. A tarifa de ônibus da capital é reajustada em janeiro.

Também entram na conta a segurança privada, a manutenção de prédios, o atendimento em saúde e assistência social, os abrigos para pessoas em situação de rua e os restaurantes populares. Ainda não há definição sobre onde haverá cortes.

Segundo o prefeito, a prefeitura não tem recursos livres e não vai aumentar impostos nem tirar dinheiro da saúde e da educação.

A FNP propôs uma transição de quatro anos e um fundo federal para reequilibrar os contratos. De acordo com Melo, o Congresso não aceitou nenhuma das duas. Questionado sobre negociar o fundo, respondeu: "Chance zero. Populismo venceu".

Sobre recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), Melo disse que o assunto está em análise, ainda sem decisão.

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