Vídeos falsos de Drauzio Varella levam MP a fazer operação em SP


O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrou nesta quarta-feira (4) a Operação Merovingian contra um grupo suspeito de usar deepfakes de pessoas famosas, entre elas o médico Drauzio Varella, para vender produtos de saúde na internet.
Deepfake é a técnica que usa inteligência artificial para alterar vídeo, foto ou voz, trocando o rosto de alguém ou mudando o que a pessoa diz.
Segundo o MP, o grupo usava a imagem e a voz de famosos sem autorização para dar credibilidade a anúncios falsos. Os produtos eram suplementos e substâncias medicinais sem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com promessas de resultados milagrosos.
Os investigados também vendiam mentorias que ensinavam a criar propagandas falsas para o Facebook e o Instagram.
A operação foi conduzida pelo CyberGAECO, com apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, e os aparelhos apreendidos podem ajudar a identificar outros envolvidos e outras vítimas.
A investigação começou com uma representação de Drauzio Varella. Os advogados do médico, Igor Tamasauskas e Otávio Mazieiro, afirmam que o caso afeta a saúde pública, porque leva pessoas a consumir produtos sem controle sanitário acreditando seguir a recomendação de um médico.
"Os responsáveis terão de responder pelos danos que causaram", disseram.
Em outubro, a 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo aumentou, por unanimidade, de R$ 10 mil para R$ 70 mil a indenização devida ao médico em outro processo, sobre um curso que ensinava a produzir anúncios falsos com o rosto e a voz dele. Ainda cabe recurso.
A defesa dos suspeitos não foi localizada, segundo o InfoMoney.
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