Dora Cavalcanti critica o STF e fala em anulação no caso Master

A advogada Dora Cavalcanti, que defende o advogado Daniel Monteiro, preso na investigação sobre fraudes no Banco Master, criticou a condução do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que irregularidades podem levar à anulação de provas. Monteiro é apontado pela Polícia Federal como operador jurídico-financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro. A defesa nega as acusações.

Em entrevista, Cavalcanti disse que o cliente está há seis meses em prisão preventiva sem ter prestado depoimento.

Ela cita o artigo 316 do Código de Processo Penal, que manda revisar as prisões preventivas a cada 90 dias. Segundo a advogada, o pedido de reavaliação ficou sem andamento adequado no gabinete do ministro André Mendonça, antigo relator.

A situação piorou, segundo ela, depois que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, assumiu os inquéritos do Master e das investigações sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários. Ela afirma que houve mais de um mês sem análise dos pedidos da defesa.

A advogada também contesta o uso de conversas de WhatsApp do cliente com integrantes do escritório, que, para ela, estão protegidas pelo sigilo entre advogado e cliente. E questiona se essa etapa da investigação deveria mesmo tramitar no STF.

Para ela, os questionamentos podem gerar disputas parecidas com as que marcaram a Operação Lava Jato.

A PF vê indícios de que Monteiro participou de operações para transferir imóveis ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, como pagamento de vantagens ligadas a negócios com o Master.

A defesa diz que o escritório prestava serviços jurídicos ao banco e que o cliente não tinha procuração para movimentar recursos de Vorcaro nem acesso às contas dele.

As críticas representam a posição da defesa. O STF não reconheceu ilegalidades na investigação, e uma eventual anulação depende de decisão judicial.

Acompanhe as notícias em tempo real nos canais O Republicano no WhatsApp e no Telegram.