Santiago Peña enfrenta pedido de impeachment após quebra de banco


A Câmara dos Deputados do Paraguai abriu nesta quinta-feira (5) uma sessão extraordinária para decidir se dá início ao processo de impeachment do presidente Santiago Peña. A oposição o responsabiliza pela crise do banco digital Ueno, que teve as contas de cerca de 3 milhões de clientes bloqueadas.
O pedido foi apresentado por 35 deputados e também atinge o vice-presidente, Pedro Alliana. Para o processo avançar, é preciso o voto de dois terços dos parlamentares presentes na sessão.
A pressão cresceu nesta quinta, quando o presidente do Congresso, Basilio Nuñez, e o líder do Partido Colorado, Horacio Cartes, retiraram o apoio a Peña, segundo a CNN Brasil.
O Banco Central paraguaio interveio no Ueno na terça-feira (3), ao constatar um déficit nos índices de solvência ligado a empréstimos a empresas do próprio Grupo Vázquez, dono da instituição. O banco concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Peña, economista conservador que assumiu o governo em 2023, foi acionista do grupo dono do banco até março de 2025. A oposição o acusa de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento por parte do Banco Central.
"Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai", disse a deputada de oposição Rocío Vallejo.
Peña afirmou no X que os responsáveis pelas irregularidades vão responder à Justiça, sem exceções, e promulgou uma lei para que os poupadores recuperem o dinheiro mais rápido. "Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse", declarou.
A crise já levou à saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo. O Ministério Público mandou prender oito diretores do Ueno, entre eles o presidente-executivo, Miguel Vázquez, e acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco.
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