Lula chamava ministros do STF de 'canalha' na prisão, diz carcereiro


O policial federal Jorge Chastalo Filho, que foi carcereiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos 580 dias em que ele ficou preso na Superintendência da PF no Paraná, relata no livro "Banho de Sol" ataques do petista a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) indicados por ele e por Dilma Rousseff. Os trechos foram publicados pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Segundo o livro, os principais alvos eram Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux. Na época, o STF negava pedidos de liberdade de Lula, barrava entrevistas e adiava julgamentos que poderiam anular sua condenação.
Em julho de 2018, quando o TSE decidiria se ele poderia ser candidato, Lula teria dito: "A Cármen é uma falsa humilde, Chastalo". Em outro momento, de acordo com o carcereiro, afirmou ter ido dormir "com um ódio muito grande da Cármen Lúcia" e a chamou de "miserável".
Fachin foi alvo depois de retirar de pauta o julgamento de um habeas corpus da defesa. Lula teria dito que não o indicou ao STF no próprio mandato por não confiar nele e que a nomeação foi decisão de Dilma.
Sobre Fux, que derrubou a autorização para que a Folha e o jornal espanhol El País entrevistassem Lula na prisão, o petista teria dito: "Aí veio a Dilma e acabou nomeando esse canalha".
Segundo Chastalo, Lula elogiava Gilmar Mendes e Celso de Mello, que, na avaliação atribuída a ele, tinham coragem. O carcereiro conta que comentou com Lula que Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes eram "os mais inteligentes" da Corte, e o petista concordou.
As falas são atribuídas a Lula pelo autor do livro.
Lula deixou a prisão em novembro de 2019, depois que o STF mudou o entendimento sobre a execução da pena antes do trânsito em julgado.
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