Drone leva celular a chefe preso, e PF expõe rota aérea de drogas no RS


A Justiça Federal aceitou a denúncia contra 18 pessoas investigadas por um esquema de tráfico que usava aviões de pequeno porte para levar drogas até o Rio Grande do Sul. Segundo a Polícia Federal, a rota começava no Paraguai, passava pelo Paraná e terminava em território gaúcho, abastecendo facções do estado.
Os réus respondem por tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Três dos indiciados eram pilotos. Há também familiares e um advogado entre os responsabilizados.
A PF aponta Fernando Luiz Doval Júnior como chefe da organização. Ele foi preso em 2023 em um restaurante na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, quando era considerado um dos principais foragidos do estado.
Levado à Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, ele continuou no comando do grupo, segundo a PF. Imagens obtidas pelos investigadores mostram o lançamento de um aparelho por drone, preso a uma linha, e o resgate do objeto. De acordo com o delegado Márcio Teixeira, o telefone seria destinado a Doval.
A investigação citou o Aeroclube Albatroz, em Osório. Um responsável pelo local receberia R$ 5 mil por mês, segundo a PF. O presidente do aeroclube, Cláudio Zabiela, confirmou a visita da polícia, mas negou irregularidades.
Também aparecem uma pista clandestina entre Palmares do Sul e Mostardas e aeródromos menores em Eldorado do Sul e Novo Hamburgo.
As apurações ganharam força em outubro de 2023, com a apreensão de 35 quilos de cocaína em um avião fretado em Caxias do Sul. Em agosto de 2026, a operação prendeu 17 pessoas.
A defesa de Doval afirmou que pretende demonstrar que as acusações são equivocadas. A Polícia Penal disse ter instalado telas nas janelas das celas e criado um Módulo de Segurança Máxima, e que o bloqueio de sinais está em fase de implementação.
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