Fundo de Itaipu tem milhões aplicados no banco que abalou o Paraguai
O fundo de pensões de Itaipu, conhecido como Cajubi, informou ter aproximadamente 100,692 bilhões de guaranis, o equivalente a R$ 89,9 milhões, investidos no Banco Ueno, segundo o jornal paraguaio ABC, citado pelo Poder360. O valor é 2,4 vezes maior que os R$ 36,9 milhões registrados no fim de 2025.
O banco foi alvo de resolução do Banco Central do Paraguai nesta semana, por problemas de solvência. A situação coloca em risco recursos de aposentados e pensionistas ligados à Itaipu Binacional.
O valor representa 2,8% de todos os ativos do fundo, segundo o comunicado de 4 de novembro. O documento não informa em quais tipos de investimento o dinheiro está nem quando cada aplicação foi feita.
A Cajubi afirmou que escolheu o Ueno por critérios técnicos e que o banco tinha balanços auditados e classificação de risco AA-py. Declarou que fará todos os esforços para recuperar o dinheiro dos participantes.
Segundo o jornal paraguaio, no modelo de contribuição definida adotado pelo fundo, eventuais perdas são divididas entre os participantes ativos.
O Fundo de Garantia de Depósitos protege até 228,3 milhões de guaranis por pessoa em cada instituição. O valor aplicado pela Cajubi equivale a cerca de 441 vezes esse limite, e o comunicado não explica como a proteção se aplicaria.
A crise atinge também brasileiros que vivem no país. A comerciante Renata de Brito, de 44 anos, disse à BBC News Brasil que guardava as economias no banco e que perdeu o acesso à conta. "Estou muito preocupada pelo meu negócio", afirmou.
O colapso do Ueno levou o presidente Santiago Peña a apresentar renúncia na quinta-feira (5).
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