Lula cita déficit herdado, e número esbarra em dado do Banco Central
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu nesta sexta-feira (6) as cobranças de economistas e do mercado financeiro por cortes de gastos. "A única coisa que eles têm que saber é que o pobre não pagará a conta", afirmou, em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Lula disse que o Brasil tem "seriedade fiscal" e comparou a dívida do país com as dos Estados Unidos, da França, do Japão e da Itália.
"Não é o que o sistema financeiro quer, porque ele quer tudo. É o que a gente pode fazer", declarou.
O presidente afirmou ter recebido o governo "com déficit de 2,8%". O dado não corresponde ao resultado primário do setor público consolidado de 2022: segundo o Banco Central, houve superávit de R$ 126 bilhões naquele ano, equivalente a 1,28% do PIB, informou o jornal O Sul.
Lula também disse estar "entregando orçamento com superávit". O projeto de Orçamento de 2027 prevê resultado primário positivo de R$ 18,6 bilhões, cerca de 0,1% do PIB.
Na fala, ele cobrou do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que mostre à imprensa os dados da dívida pública.
Economistas e o mercado pedem que o governo contenha despesas obrigatórias, como Previdência, assistência social e funcionalismo. Segundo o g1, a falta de freio nesses gastos alimenta a desconfiança sobre a dívida, com efeitos no dólar, na inflação e nos juros.
O governo resiste a cortes lineares e defende que o debate inclua renúncias fiscais e emendas parlamentares.
Lula afirmou ainda que o ano termina "menos exitoso" do que gostaria. "Gostaria que a economia estivesse crescendo 10%, desemprego zero, salário mínimo de R$ 5 mil", disse.
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