Janones quer manter o 'Exército do Lula' de olho no Congresso e no STF
O deputado federal eleito André Janones (Rede-MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados tentam manter ativa a militância digital que embalou a campanha à reeleição. Segundo o Estadão, a avaliação é de que o governo precisará de apoio popular para alinhar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) à sua agenda.
A base disso é o "Exército do Lula", canal no WhatsApp criado por Janones, com mais de 10 milhões de seguidores.
Nesta semana, ele impulsionou publicações contra a revisão do fim das bets, alvo de uma ação no STF relatada pelo ministro Luiz Fux. O jornal trata o movimento como um prelúdio das táticas dos próximos anos. O canal também foi usado para impulsionar perfis ligados a Lula e ao PT.
Na quinta-feira (5), os dois fizeram uma transmissão ao vivo. "Você não tem noção do significado do 'Exército' na cabeça do povo", disse Lula, que prometeu mais conteúdos com o aliado.
Ao citar a viagem à Turquia para a COP31, o presidente propôs que Janones fosse junto. "A gente pode ir lá e fazer umas livezinhas do nosso 'Exército'", afirmou.
Especialistas ouvidos pelo Estadão citam uma tentativa de "pressão externa" sobre os demais Poderes. Para Alexander Hilsenbeck Filho, professor da Faculdade Cásper Líbero, a ferramenta pode servir para questionar obstruções da oposição ou convocar apoio a uma medida em disputa no Congresso.
Issaaf Karhawi, professora da USP, aponta que o canal segue centrado em uma pessoa só. "Se antes existia um objetivo em comum que foi alcançado, a partir de agora, qual será esse objetivo?", questiona.
Procurado pelo jornal, Janones não respondeu.
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