Itaipu vai à Justiça para recuperar dinheiro preso em banco paraguaio

A margem paraguaia da Itaipu Binacional mantinha cerca de US$ 182,2 milhões, pouco mais de R$ 1 bilhão, no Ueno Bank, banco do Paraguai que teve as operações suspensas na terça-feira (3). A hidrelétrica informou no sábado (7) que iniciou medidas judiciais para recuperar o dinheiro.

Segundo comunicado da administração paraguaia, eram US$ 163,8 milhões e 115,2 bilhões de guaranis depositados em 3 de novembro. Os recursos seriam usados no pagamento de obrigações contratuais e convênios.

A Itaipu também apresentou denúncia penal contra oito ex-diretores do banco, entre eles Miguel Vázquez, maior acionista. Eles já respondem ao caso e estão em prisão preventiva ou domiciliar, segundo a Gazeta do Povo. A denúncia aponta estelionato e lesão de confiança.

O dinheiro preso equivale a 7,6% das remessas que o lado paraguaio recebeu do Brasil entre 2024 e 2026. Nesse período, segundo a binacional, a Itaipu transferiu mais de US$ 2,4 bilhões do Brasil para o Paraguai.

Em nota ao g1, a administração brasileira de Itaipu afirmou que não havia recursos sob sua gestão no Ueno Bank. "A operação da Itaipu segue normalmente, sem impacto na produção e no fornecimento de energia", informou.

O Banco Central do Paraguai mandou liquidar o banco depois de constatar que o índice de solvência estava abaixo de 50% do mínimo exigido. Mais de 3 milhões de contas foram paralisadas.

O ex-presidente Santiago Peña, destituído pelo Senado paraguaio na sexta-feira (6), também é alvo do caso. Ele foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025, e a Promotoria pediu sua prisão preventiva.

Não há prazo para a devolução dos valores.

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